Diário da Roça




Escrito por Estela Horta Miyauchi às 01h43
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Sequestro de Pontuação e Acentuação

  Có Ri Có Cóóóóóóó!!!! Enfim voltei não pense o leitor que é facil raptar um blogueiro no meio de seu sono e transformando esta pessoa num Ghost Writer  faze-lo  a perfeição como deve estar percebendo o leitor  consegui raptar a capacidade  de dar  materialidade ao pensamento  atraves da palavra mas não consegui raptar  a capacidade de colocar as palavras dentro das regras de pontuação e acentuação caso o leitor consiga  entender tudo o que digo sem  ter o auxilio de  pontos  virgulas e acentos fica aqui então acertado que  são então desnecessarios estes sinais

EH le nestes dias um livro de um escritor portugues Saramago que é um mestre em subverter o uso de pontuação  e não creio que tenha  prejudicada a leitura de seus textos ela Le também os textos da blogueira Leonor no blog Tumitinhas que não tem suas palavras acentuadas pois ela usa um programa em língua inglesa tambem  aqui  a falta de acento não prejudica a compreensão do texto assim a partir de agora testo aqui a capacidade de meus leitores se adaptarem as condições adversas do texto antes isto que ter de enfrentar as condições adversas da vida

E em adaptações nos galinaceos somos especialistas afinal “no fundo de toda galinha existe um dinossauro” como diz Jack Horner  paleontologo americano que escreveu  “Como Construir um Dinossauro”  sempre tive  certeza  de nossa superioridade uma vez que somos uma linhagem de dinossauros bipides que resistimos a extinção mas tambem não gosto das mas intenções  do senhor  Horner quando fala em criar um galinhassauro reanimando os genes silenciados de patas dianteiras  e cauda somos  o exemplar final e perfeito da evolução perfeito sim  tomemos  como exemplo a perfeição de nosso sentido da visão

Antes de fazer um elogio a acuidade visual galinacea quero analisar a incapacidade visual humana a partir da visão de EH antes de mais nada EH usa óculos ao fazer uma consulta oftalmologica  apesar de ser de pouca monta  sua deficiencia em  relação a outros individuos da especie  minha refem optou por usar lentes multifocais pois não queria estar a  tirar e por oculos a cada atividade que exigisse visão aproximada como é quase sexagenaria  sua visão aproximada não lhe permitia ler embora a distancia enxergasse muito bem para os padrões humanos queria tambem com os oculos  disfarçar suas  incorrigiveis olheiras hoje apos tres anos de uso  desta estetica  protese não enxerga nem o que do prato lhe vai a boca nem o que anunciam os outdoors nas vias publicas

Como se não bastasse sua pouca visão material o que lhe vai pior é sua digamos assim visão instintiva  como a maioria dos humanos EH enxerga sempre o que não la esta e não enxerga o que evidente esta por isso mesmo humanos são tão contraditorios e fazem coisas como matar em nome de seus deuses que pregam o amor e a concordia  e tambem destroem seu natural espaço em nome da construção do bem-estar é por isso que EH me acha violento por eu bater no frangote do meu filho que molesta minhas femeas e tenta tomar meu poder e ainda tacha  os machos das angolas de agressivos quando estes correm atras dela a bicadas defendendo seu territorio e os ovos de suas femeas alem do mais esta sempre considerando  boas pessoas que se aproximam e mas as que se afastam  de sua maneira de agir pensar ou viver como ela toda a humanidade erra nos juízos que faz do semelhante

Nos acertamos sempre nossa visão do real é no minimo quatro vezes mais potente primeiramente a posição de nossos olhos nos da no minimo 300 graus de visão estando estaticos  enquanto humanos não chegam a 180 graus com relação a distancias quando EH aparece com a enxada a 100m corremos pois ja lhe adivinhamos a intenção de ferir a terra e nos proporcionar minhocas e iguarias que tais se eu cisco com mais impeto a 500m minhas femeas correm em minha direção pois ja enxergam o alimento que brota do chão tambem corremos quando certos visitantes aponta no portão da propriedade enxergando-lhes as mas intenções

Entendam o que quero mesmo é dizer que os seres não são definitivamente caracterizados pelos genes pois alguns deles estão dormindo como aqueles que se acordados determinariam uma longa cauda ou braços dianteiros numa galinhassauro ora alguns genes humanos tambem poderiam ser ativados ou outros serem desativados ou ainda transformados pelo meio ambiente ha esperança para os humanos como pensa o estudioso da especie Matt Ridley (O que nos Faz Humanos)

Dito isto quero propor aqui alguma interatividade com meus leitores pois preciso saber se este sequestro do blog tem valido a pena ou facilito o resgate de EH afinal se não me leem pra que continuar este processo tao dificil que e manter EH sob meu dominio

Para tanto preciso saber quantas pessoas respondo a esta simples questao é possivel ler com facilidade um texto sem pontuação e acentuação

Das respostas a esta pergunta dependem o estilo e a continuidade deste blog

Na semana que vem o texto sera reescrito com pontos e acentos (caso tenha um numero razoavel de respostas)

 



Escrito por Estela Horta Miyauchi às 21h21
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Paixão Segundo EH

Paixão Segundo EH

Aqui está minha Ghost Writer, tentando achar uma maneira de explicar sua participação neste blog que já não é mais dela. Não vai conseguir. Não é nenhum Saramago, É apenas a Estela da horta, “uma sapateira querendo ir acima das chinelas, dando opiniões sobre a anatomia dos joelhos”. Pretensiosa é o que é  aquela a que , a partir de agora, tratarei apenas como “EH”, minha refém.

No momento, ela lê um livro, “História do Cerco de Lisboa”,  daquele escritor português que ela admira, não entendo por quê, pois ela pontua melhor que ele,que confunde ponto com vírgula e não avisa quando muda  de personagem  e não se sabe quem está falando. EH é assim, confere valor ao que , francamente,  não me parece de valor.

 Coitada, ela pensa que faz arte. Ultimamente está empenhada em fazer o que chama de “jardim arte-conceito”: um emaranhado de galhos,  gravetos, troncos cercando  uma terra  que já foi depósito de lixo orgânico queimado.Ela tem um pensamento ao contrário da lógica! Faz tudo da maneira mais difícil. Vejam que “ Prometeu “ esteve acorrentado com o fígado bicado por abutres  por ter  ao homem dado o poder do fogo, para que ela venha agora desprezar a dádiva divina... Em dez minutos poderia limpar o entulho do pomar, como fazem seus vizinhos. Mas não... está há dois meses  separando, cortando, classificando galhos e folhas. E agora resolveu fazer  arte-sustentável-hortifrutigranjeira. Valha-me Zeus.

Ela fala  em consciência ecológica, mas , na verdade, é uma vaidosa egocentrada, que pensa estar fazendo arte. Risível... Qualquer um que entre no pomar verá que ela está sofrendo  de uma síndrome que ataca mulheres  aposentadas,  com ninho abandonado , sem  perspectiva  de netos.

Não é a primeira vez que isso acontece com ela. Durante anos fez potes de barro, acreditando  estar fazendo arte. Agora, está  em crise de identidade. De manhã acha que é bóia-fria;  pega a enxada e vai capinar, arar, plantar, colher. Mais tarde se aventura nos temperos, acreditando  ser a rainha da gastronomia. À tarde faz arte-conceito no pomar. À noite assiste  novela!!!Que contradição... De madrugada é minha refém. É aí que, durante o sono, eu a capturo.

Acredito ter, neste  momento, o melhor dela, a EH verdadeira, das profundas do inconsciente.

Barack...você é um gênio!!!

 

 



Escrito por Estela Horta Miyauchi às 13h52
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Blog Sequestrado

Eu sou um galo. Meu nome é Barack. O Barack do galinheiro dos  Miyauchi.  Serei direto: Sequestrei o blog da  Estela. Já tinha há um tempo esta intenção.  Precisava resgatar o moral da espécie. Aproveitei o marasmo, a apatia, a preguiça,  a nhaca da Estela para tomar posse do  "Diário da Roça".


O que pretendo fazer com ele? A princípio, tentarei desfazer a péssima imagem que a antiga narradora construiu  de nós, galináceos, explicando nossa origem e posição no mundo. Não vou me propor a mais nada antes de me certificar  de que não venham a resgatar este instrumento de comunicação.

Primeiramente, quero deixar claro que  nós, galos e galinhas, somos o elo perdido! A resposta às indagações sobre a origem do homem. A Estela não estava errada  ao falar de galinhas  para tangenciar a análise que fazia sobre os homens. Apenas o ponto de vista é que estava errado. Deveria falar dos homens para analisar as galinhas. Entendam o processo evolutivo: dinossauro...galinhas...macacos...homens. Mas na nossa visão, evolução é decadência.

Eu, Barack, sou uma projeção  dos Deuses do Olimpo na Terra. Sou um Saturno entre os mortais.  Como Saturno, mato meus filhos para não perder o poder. Diariamente espalho o terror entre os franguinhhos machos que ousam comer o milho antes que eu esteja com a moela cheia de grãos. Temo que um deles venha a tentar, como já  escreveu Sófocles em Édipo Rei, ocupar o meu trono.

Como vocês veem, a mitologia e o teatro gregos falam de nós, galos e galinhas. Aliás, contemporaneamente, Freud também nos explica.Todos os complexos descritos por ele estão ali, sob a jabuticabeira, sobre os pés de mexerica, no terreiro onde são lançados os grãos de milho, nos ninhos, sob galhos secos, entre as folhas secas remexidas pelo nosso eterno ciscar.

Caso este sequestro seja longo, tentarei analisar o ser-humano , de forma justa,  ao contrário do que fazia  a antiga narradora, que tentava fazer uma imagem minha muito próxima à de Rasputim, o psicopata, apenas por eu tentar matar meus filhos frangos e trazer as franguinhas para meu "harém", junto às mães.



Escrito por Estela Horta Miyauchi às 08h37
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Monótono

Pode-se dizer qualquer coisa sobre a vida na roça. Podem-se utilizar palavras já em desuso ou neologismos rosianos. Só não digam que é monótona. Fiquei afastada uma semana da chácara e, ao regressar, todos os tons  tinham mudado. Nasceram flores, frutos e pintos. Cresceram verduras, legumes, arbustos e frangos. O inverno está bem definido, como definidas têm sido todas as estações: verão...calor com chuva; outono...calor com pouca chuva; inverno...calor com frio noturno e pouquíssima chuva; primavera...o diabo no meio do rodemunho, segundo as más línguas , não vivenciei ainda. Então, não há monotonia.

Menos monótona é a vida dos bichos. As  frangas de cinco dias atrás se tornaram galinhas. Até o frango carijó, que prometia  ser um belo galo, estava com comportamento de galinha: deitadinho no ninho, como se botando ou chocando (mas isso é  tema para um texto futuro). Sob as  asas de Valéria, uma cabecinha de penugem amarela, e a perspectiva de mais meia-dúzia de cabecinhas amarelas para os próximos dias.  As quatro angolas não me receberam com a costumeira festinha canina. Foram pra balada, adolescentes rebeldes que se tornaram. Sorte que aprendi com meus filhos  a lidar com esta idade tão complicada.

E Gisele não foi comida pela jibóia. Apareceu a desaparecida... com seus 12 pintinhos. Ficou  21 dias sob os galhos secos  das árvores podadas no outono. A maioria dos pintos parecem ser da do Carmo, assim como serão dela a maioria dos pintinhos da Valéria e da Condoleezza. Do Carmo é mineirinha...bota nos ninhos alheios, não tem trabalho de chocar, nem de cuidar da prole... e ainda de quebra, é a preferida do  Barack.

A roça não é monótona. Monótono é meu blog. Não tenho Know how para torná.-lo versátil, a não ser por dois links que adicionei (adicionaram por mim)  e mais dois que vou tentar adicionar.

Um dos links ao lado é de minha filha  bióloga, assim, muito louco, embora ela o chame de  "Mais-ou-Menos" .Outro  é o da Leo,  o "Tumitinhas". Leo é uma amiga nipo-anglo-brasileira  que há vinte anos está na Inglaterra e agora nos mostra seu modo de vida, num texto muito gostoso de se ler. Ela escreve como  se preparasse um cerimonial do chá.

Estou comemorando aqui  o acesso de número 1000 deste blog. Não sei o que isso quer dizer, mas estou comemorando



Escrito por Estela Horta Miyauchi às 20h51
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Galinha Medrosa

Esforço-me por sair do grande nevoeiro que sucedeu o grande vazio que sucedeu o grande medo. No princípio me senti um ser primitivo num primitivo mundo que me assustava ao anoitecer. Não sabia da origem dos ruídos e só tinha certeza dos bichos ameaçadores que via, dos quais fugia entrando em cavernas não menos assustadoras.

Corte!

Entendi minhas galinhas. Galinhas têm medo de escuro. Não dormem. Apenas fogem da ameaçadora escuridão, empoleiradas nas árvores. É num momento desses que minhas galinhas serão colhidas, como frutas, pelo sr. José, meu consultor  para assuntos galináceos. Terei que me desfazer do excesso delas, que logo se transformarão em trinta, com o nascimento de mais uma leva de pintos.

Corte!

Você, meu leitor desde as primeiras letras, percebe meu revelador texto fracionado e entende que estou toda quebrada,assim aos cacos. O medo vinha me assaltando há um tempo, como um aviso de que algo aconteceria. Aconteceu... nada que fuja da rotina da vida deste  frágil ser que somos.

Corte!

Agora retomo meu dia-a-dia, um pouco desanimada da vida na roça, desanimada de minhas máquinas-brinquedo, tentando entender este ser medroso que há em mim. Este frágil ser primitivo  que  de vez em quando surge de uma escuridão de milênios, que se projeta no nosso mundo de luzes e máquinas de bem-estar, e nos joga na cara que somos , na essência, a galinha medrosa fugindo do escuro

Cortaaaa!!!!

 



Escrito por Estela Horta Miyauchi às 07h50
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Sim, Marina, são suas sementes já produzindo. Volte em setembro para comer as pamonhas.



Escrito por Estela Horta Miyauchi às 09h47
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Procurando Gigi

Já ouvi dizerem: "Como sofre uma mulher que dorme com um homem que ronca!"  Eu não sofro.   Quando não consigo dormir porque meu marido está roncando muito forte e minha mãe parou de roncar sem explicação e, ainda, as angolas gritam "tô fraco" por eu ter acendido a luz do banheiro, vou para a sala, pé-ante-pé, e escrevo uma página do meu blog.

Afinal, há quanto tempo não escrevo, heim?   Problemas com o meu provedor!

Ai, como o mundo virtual é estressante !

Como tudo é tão simples no meu mundo aqui na roça... .  

Bem, nem tão simples assim.   Fiquei tanto tempo fora do ar que  quase preciso fazer um relatório.

Antes de mais nada, preciso contar que sofri uma deliciosa invasão japonesa.   Estiveram conosco por uma semana otoo-san, okaa-san e onee-san.   Há muito tempo desejamos esta visita e, pela primeira vez,consegui receber alguém sem desastres e gafes.   Justiça seja feita, com a colaboração de minha irmã, que me deu suporte na semana anterior, e de Suzana, minha cunhada, que praticamente fez as honras da casa.   Com eles veio também Sushi, uma cachorra maltês branquinha que fez boa amizade com as angolas.

Eu já não disse que minhas angolastêm alma canina ?   Pois é, tenho quatro galinhas cachorro que latem pra lua, nas minhas madrugadas insones.

A vida galinácea no sítio sofreu transformações substanciais enquanto estive fora do ar.   Primeiramente,Paulete e Condolleeza estão com síndrome-do-ninho-abandonado, e, diferentemente de mim, que já sofri esta síndrome, não sofrem por isto.   Voltaram a fazer a felicidade sexual de Barack que ensaia passos de Michael Jackson, como homenageando-o num walking in the Moon ciscante.   As mamães também voltaram a botar.   Ainda bem, pois Valéria entrou no choco e Gisele sumiu!.  

Então, caros amigos, o sumiço de Gisele ocorreu há uns três dias, creio eu.   Não estou segura do dia em que se deu o desaparecimento, pois os franguinhos cresceram, ficaram do tamanho das mães e perdi a noção de quem é quem.   Mas hoje passei o dia todo no pomar, fuçando galhos e folhas, e percebi que os frangos, tendo adolescido, formaram uma gangue que já não se mistura aos adultos, a não ser na hora das duas refeições que lhes ofereço.   Foi esse apartheide que me alertou para o sumiço de Gisele.

Passei algum tempo pisando folhas secas outonais, cortando galhos secos hibernais, pensando ( cogito, ergo sum ) que é que poderia ter acontecido a Gigi.

Teria sido engolida por uma jiboia que fugindo ao fogo ateado por meu mais novo vizinho, nada ecológico poderia ter dado nos costados de meu pomar e, faminta , deu de cara com uma graciosa penosa ?   Ou teria sido levada pelos ares por um gavião num voo rasante que deixou o populacho galináceo catatônico numa tarde dessas ?   Ou ainda, teria sofrido um infarto fulminante ao tentar defender seus ovos do ataque dos saguis que já não têm frutas para comer, uma vez que o inverno deixou nosso pomar a nenhum ?

Quem de vocês, amigos que ainda têm paciência de me ler, diria: "Elementar minha cara Estela ... " ?

Por favor, preciso de ajuda, façam suas conjecturas.



Escrito por Estela Horta Miyauchi às 16h15
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Gastronomia Terroir

Estamos muito bem aclimatados em Rio Preto.Sim, é quente no verão, mas aqui na roça, devido à vegetação, há uma variação de até 3 graus  a menos.Há quem diga, porém, que a primavera será insuportável, com temperaturas altas e clima seco. Mas agradável mesmo está este outono.Com alguma chuva,manhãs e noites frias,tardes ensolaradas com brisa constante. Já tivemos 8 graus de manhã, geada e cerração. Há uma semana, antes da chuva, chegou um furacão: o Furacão Valéria, que nos visita e muda o aspecto geral da chácara, embelezando com tumbégias o alambrado em frente à varanda onde tomamos o café da manhã.

Para quem não conhece,apresento: Valéria, minha irmã, a raspinha do tacho, linda, loura e louca. Louca por limpeza e arrumação, ela chegou como um furacão: cortou a grama, podou os galhos secos, repaginou minha casa, plantou flores, fez docinhos e planejou fazer o dobro nesta semana.

Que seria de mim sem a Valéria me visitando de vez em quando, organizando minha geladeira, enchendo meu freezer de comidas gostosas, sugerindo mudanças na disposição dos móveis. Ela me completa. É boa em tudo em que sou ruim.Tento aprender com ela.Principalmente tento, com ela, melhorar minha culinária terroir.

Sim, "terroir". Traduzindo, culinária regional, aquela em que se usam produtos característicos de uma região.

Aqui no Noroeste Paulista, milho, mandioca, queijo fresco, galinha caipira, muitas frutas são alguns destes produtos.Aproveitei bem  a temporada cozinhando com milho; agora começa a época de mandioca, Francamente, sou fraca neste quesito. Então, vou aproveitar este momento entressafra para continuar meu laboratório de sorvetes e de aproveitamento dos ovos de minhas três galinhas em época de postura e exercitar minha nova mania: queijo fresco.

Comecei por explorar a disposição de minha vizinha, para aprender  a fazer queijo.

Com isso Valéria e eu começamos um programa de engorda:domingo o cardapio "teroir" de sobremesa foi uma bomba calórica : cocada de forno, quindim de ovos caipiras, sorvete de goiabada, queijo fresco,canjica para comemorar Santo Antônio. Impublicável o cardápio principal  do almoço: Terroir demais! Colesterol demais!

Aproveitarei meus próximos dias com a Valéria, executando uma culinária básicamente light: feijão,tomate, rúcula, quiabo, sorvete de limão, doce de lima-da-pérsia,sopa de abóbora. Tudo produto de minha roça.

E dá-lhe enxada, dá-lhe ancinho,,dá-lhe tesoura de poda, dá-lhe pá e escavadeira. Inauguro aqui uma nova odalidade de SPA. Tudo muito terroir. Quem se habilita a vir para meu SPA, capinar, plantar e colher?

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Escrito por Estela Horta Miyauchi às 21h42
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fotos da roça

 Feriado na roça. Trufa, Vó Ny, Mário, Maurício, Marina, Nowbeer.

 

Banho de sol no inverno riopretano 

 Vovó viu  o ovo.

Tomateiros do Mário



Escrito por Estela Horta Miyauchi às 18h46
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Relato do Jecatatu

Relato do Jeca-Tatu

Estou  a um passo de transformar em relato mensal meu hebdomadário que nasceu diário. Tudo resultado da minha adaptação à vida na roça, vida que flui não como  água, mas como xarope, ou melaço, va...ga...ro...sa...men...te..

Estou influenciada por acontecimentos  rurais, como o recente assalto a dois sítios não muito próximos daqui, ainda bem.  Os assaltantes  roubaram uma carroça e pacientemente,  assaltaram  as despensas dos referidos sítios. Tudo foi resgatado, ainda na estrada. Acredita-se que a ação da polícia tenha sido facilitada pela falta de combustível: o burro empacou. Meu, amigo leitor, isto não é ficção. É notícia de jornal.

Por esta e mais outras influências, estou vivendo uma Síndrome-do -Jecatatu. Assim, amigos, vocês não têm me encontrado aqui há dez dias. Pre...gui...

Além da preguiça, tenho ganhado  algumas outras características  do caipira. Minha pele amorenou (já estou usando Renew), meus calcanhares racharam (Já marquei podólogo), minhas unhas estão encardidas...na verdade estou ficando encardida. Esta coisa de  sempre me jogar de cabeça no que faço e depois enjoar e não querer mais saber...É que estou ficando  muito decepcionada com meu trabalho na terra:não é fácil! Quem foi que disse  que em se plantando tudo dá? Só pode ter sido alguém que fazia trabalho burocrático, sentado em uma escrivaninha escrevendo cartas. Não dá! Não dá!

Não dá! A horta orgânica, pelo menos a que toco, não dá. A cenoura é pequena, o tomate é abundante, mas dá bicho, a alface é raquítica, a couve, cadê a couve? Só vinga mesmo a rúcula. Sim, tenho de ter paciência, ainda colherei milho, abóboras, mas até agora, só colho ovos.

Gosto dos ovos, mas das galinhas, nem tanto. Sabe, não há amizade. De mim as galinhas  só querem o milho. Não pretendo comê-las, mas elas insistem em correr de mim. E os pintos, que a esta altura já são frangos, repetem o comportamento  das mães.Até Os macaquinhos me olham com simpatia e acredito que , se não os temesse e fizesse um gesto, eles  comeriam na minha mão. Mas também são interesseiros e de mim  só querem banana. Minhas amigas mesmo, só a angolas, fiéis como cão,  quase latem  na minha porta para acordar-me de manhã e acompanham-me o tempo todo nas lides da terra.

Procuro, então, animar-me  com outros assuntos. Comecei a alfabetizar meu vizinho, um rapaz de  vinte anos, mas preciso domar minha incorrigível crença no próximo, pois a tendência é eu ficar mais eufórica por ensinar que o pupilo por aprender.  Assim,  tento dividir meu ânimo com a atividade culinária, que dá resultados rápidos e garantidos.

Continuo fazendo sorvetes deliciosos, pois criei uma  maneira saudável e natural de emulsificar a massa. É segredo. Só conto para quem  vier visitar minha nascente fabriquinha ou para quem  se encorajar a financiar o empreendimento.

Também  me propus a fazer suflê, um antigo desejo, sempre frustrado,  e agora, enfim,  levado a cabo com sucesso.

Então, aqui vai uma receita 100% testada, muito adequada a quem tem preguiça, uma vez que, num só prato, misturo proteínas, vitaminas, carbo-hidratos, sais mineirais. Aconselho  a todos. Tem sabor de roça.

 

SUFLÊ  PREGUIÇA
Ingredientes

1 kg de  legumes (pode ser chuchu, abobrinha, vagem, sozinhos ou combinados)

1 cebola média refogadinha

100 gr de manteiga

cheiroverde

200gr de presunto, ou equivalente, picado ( se quiser)

pimenta do reino

2 copos de leite

2colheres de farinha de trigo

50 gr de parmesão ralado

4 gemas

4 claras batidas

Preparo

Em uma panela, misture o leite, a manteiga, a farinha de trigo,  as gemas (de preferência de galinha caipira),  sal e pimenta

Engrosse no fogo e reserve para esfriar. Junte o alho e a cebola refogados previamente,  os vegetais também, previamente refogados, o cheiroverde, o queijo e o presunto. Enfim, junte, delicadamente as claras em neve (se tiver, use nelas o cremor tártaro para firmá-las). Coloque em uma assadeira refratária untada e polvilhada com farinha de rosca. Coloque em forno preaquecido, médio, durante , mais ou menos, 25 minutos. Coma  logo que tirar do forno.  Se der preguiça, tire uma soneca na espreguiçadeira sob uma frondosa  mangueira.



Escrito por Estela Horta Miyauchi às 10h11
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De Caldos e Canjas

Chove, depois de uma longa estiagem.Cai a temperatura. Vontade de  tomar uma sopinha. Foi então  que me lembrei de vovó Mariinha e sua culinária parcimoniosa, previsível, perfeita.Isso mesmo, ela cozinhava com poucos, comuns e baratos ingredientes, uma comida que todos conheciam, mas de resultado surpreendente. Aquela carne de panela, que era um roastbeef ao molho ferrugem,  se multiplicava em croquete do dia seguinte e caldo básico para a sopa de  fubá da noite.

E nesta noite chuvosa  fiquei a ver navios (não , não houve enchente), sem poder satisfazer meu desejo de sopa de fubá. Porque não há receita que ensine  a fazer a sopa de fubá com restos  de carne de panela  da minha avó Mariinha.

Satisfiz minha vontade  com uma sofisticada omelete  aos quatro queijos, finalizada com cheiroverde da horta,  com dois ovos  de minha mais nova fornecedora, a Do Carmo, que desbloqueou, e todos os dias  bota um grande ovo de gema cor-de-abóbora, no ninho do condomínio galináceo. E minha mãe comemora:a Do Carmo não vai mais pra panela! Não teremos canja da Do Carmo.

Pois é, minha mãe erra sempre  nos julgamentos que faz de meus bichos. Depois de dizer que Do Carmo era galinha velha, começou a dizer que minhas angolas são todas machos. Como ela erra sempre, passo a considerá-las  todas fêmeas e as batizo  agora com os nomes de minhas amigas de cabelos pretos,  todas elas ceramistas: Sueli Cristina, Roseli Inês,  Ana Glaura, Acácia Rósea, todos nomes agregados  duplos e raros, como  raras e agregárias são minhas angolas.

Sei que minhas  amigas e minhas angolas não se importarão, mais tarde,  de constatarem uma transexualidade galinácea involuntária.



Escrito por Estela Horta Miyauchi às 10h13
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Máquinas

Sempre odiei máquinas. Quem me conhece sabe:achava que todas fossem coisa do diabo. Ainda penso assim. Na verdade, mais que ódio, sentia medo. Ainda as temo. Mas de um tempo para cá, tenho mudado minha relação com elas. Tenho  encarado. Logo que cheguei na roça, tive de encarar o motor  do filtro da piscina, dentro de um quartinho escuro e úmido, onde meu melhor companheiro era um sapo.Sinistro. Hoje faço todo o processo de limpeza,sem medo. Depois, desvendei os segredos do computador com a ajuda de toda família e amigos.Agora piloto isso aqui  sem medo de errar, embora erre muito.Tenho pilotado com relativo  sucesso também a máquina de cortar grama. E coroei este sucesso pessoal no dia das mães: Ganhei uma máquina de fazer sorvete!!! Gente, escrevi um texto inteiro sem falar de galinha.  Chi, falei.  Meus amigos hão de entender esta minha dificuldade de me desligar de um tema. Todos me aguentaram durante mais de dez anos falando de cerâmica. Vai aí a primeira receita que fiz na máquina.

SORVETE DE KIWÍ COM MANGA

Ingredientes

3/4 de xícara de chá de açúcar

3/4 de x. de chá de água

1 1/2 x. de chá de purê de kiwís

1 1/2 x. de purê de mangas

1/4 dex. de chá de suco de limão amarelo

Modo de fazer

Ferva o açúcar e a  água, fazendo um xarope. Deixe-o esfriar e coloque na geladeira.Faça os purês, separadamente, no processador, no liquidificador, ou passando por uma peneira fina. Misture-os  ao suco de limão. Junte a mistura ao xarope gelado. Congele usando a máquina de sorvete, conforme instrução do fabricante.

Deliciooso, saudável, cremoso, sem aditivos químicos! Se quiser experimentar,  venha que faço mais cinco sabores.



Escrito por Estela Horta Miyauchi às 10h23
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Quenga

 

A pedidos, publico aqui um prato da culinária regional ( Noroeste de São Paulo)

Quenga de Galinha

Ingredientes

1kg de carne de galinha

azeite suficiente para refogar a carne

meia cabeça de alho

1 cebola média

pimenta-do-reino e pimenta dedo-de-moça

caldo de dois limões

1 colher de sopa de Curry (se gostar)

cheiro verde

Sal a gosto

6 espigas de milho mais madurinhas, adequadas para  cural

Modo de fazer:

Rale as espigas (caso queira,pode passar os grãos no processador ou no liquidificador ao invés de ralar)

Cozinhe com  água (+ ou - 300 ml) até engrossar formando um mingau. Tempere com sal. Reserve.

Tempere o frango (pode ser apenas sobrecoxas ou coxinhas da asa) cortado em partes de tamanho ideal para servir, com sal, pimentas, alho, curry, limão.

Refogue no azeite a cebola picadinha até dourar bem.

Acrescente o frango temperado e refoque  pacientemente, colocando um pouco de água quente cada vez que frigir na panela, até que o frango fique  bem fritinho, cozido, tenro e bem cheiroso.

Acrescente, então, o mingau reservado e deixe cozinhar até pegar cor e homogeneizar o sabor. Neste momento você deve dar a consistência que lhe apraz. Se quiser menos grosso , mais caldaloso, acrescente, devagar água quente.

Acerte  o sal e a pimenta ao gosto da  família e acrescente o cheiro-verde no final.

OBSERVAÇÃO: O prato ficará ideal se for feito  com um franguinho de leite criado no quintal, com milho colhido no mesmo dia, bem fresquinho e temperado  com cheiro-verde colhido  no momento  em que for usado. Se quiser, apareça aqui em casa que faço pra você. Mas o frango vai ser do Frigorífico SERTANEJO de Guapiaçu, que não mato minhas crias.

 

 



Escrito por Estela Horta Miyauchi às 23h37
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Sexo Animal

Agora minha diversão preferida nas manhãs de domingo é assistir  Globo Rural. Neste domingo, pasmem, o tema era a atividade sexual dos galináceos. Entre outras informações, aprendi que os galos dão conta de até dez fêmeas, mas elas podem também copular várias vezes ao dia. Decidi aumentar o harém do Barack, coitado .(Vejam, minhas antigas colegas ceramistas, que tenho obedecido aos ensinamentos  da Sensey Hideko e da Professora Máyy que diziam-me que era importante  repetir, manter-me no mesmo tema, focar:estou repetindo o tema...galinha, galinha, galinha....arre!

Fizemos, então, um passeio bucólico até o charmoso distrito rural de Engenheiro Schimidt, conhecido  pelos doces "caseiros" de suas três grandes fábricas de doces. Lá, além de doces, compramos uma simpática galinha ruiva, botadeira. Não sei pra quê quero uma galinha botadeira se nem gosto de ovos.

A simpatia acabou logo que a nova moradora do pomar chegou em casa: levou duas boas surras de Paulete e Condoleezza que viram nela uma ameaça à prole ou uma concorrente ao pasto.. Barack  deu-lhe uma corrida na tentativa de um sexo rapidinho ( é sempre rapidinho). Sem sucesso . Do Carmo (homenagem à minha amiga mineira) voou para a cobertura  do condomínio galináceo. Hoje, três dias após a chegada, ainda se comporta como uma mineirinha, quieta, comendo pelas  beiradas do pomar, fazendo companhia às angolas. Não bota, não cisca, não cacareja. Segundo minha sábia mãe, é galinha velha, por isso não bota. Deve ir pra panela. Segundo o Mário, é ainda uma franguinha virgem, por isso não bota. A ruiva Do Carmo é uma incógnita que o Globo Rural não resolveu.

Incógnito também é o futuro  de minha produção agrícola. Tenho negligenciado nos cuidados. As manhãs estão frias (sei que não acreditam, mas escrevo este texto protegida por uma manta), alimento minha criação às 6h30  e volto para a cama. Quando  volto pro pomar o sol já está quente, não consigo trabalhar. Aguar a produção é necessário, pois vivemos um período de seca braba.

Seca brava também na produção literária, cada vez menos literária. É a aridez nas palavras que leva meu blog a uma  crise de identidade. No princípio escrevia por me sentir isolada. Depois tomei gosto pela coisa e tentei falar  das coisas do mundo, através de meus personagens da roça. Agora perdi a mão e sinto que meu texto está como o bolo que fiz na semana passada: embatumado. Bem, esqueçam este parágrafo, amigos leitores. Foi apenas um desbafo metalinguístico( que falta faz um trema aqui).

Mas vou tentar seguir em frente, assim  como vou  tentar fazer outro bolo de limão com acerola. Tá  aí: se esta crise de criação tomar corpo,  vou começar a dar receitas culinárias nesta página. Sabem  que ando fazendo um bocado de coisa  boa na cozinha? Vou até ganhar uma máquina de fazer sorvete no dia das mães...Me aguardem!



Escrito por Estela Horta Miyauchi às 21h54
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